sábado, 16 de março de 2013

Soneto de Sânzio de Azevedo para Francisco Carvalho



Soneto para o Poeta Francisco Carvalho

Dos tempos de menino te ficaram
as tardes de sol quente onde os lamentos
dos velhos bois que a morte ruminavam
se esvaíam nas túnicas dos ventos.

Na gleba de teu pai ainda há frutos
das árvores regadas pelos sonhos;
os alpendres, porém, e os altos muros
não deixaram vestígios nem escombros.

Mas tens o verso, com que todo dia
fazes viver um mundo de utopias
com a antiga crença de um profeta hebreu.

E vês que a hora do poema é a hora da lavra
em que ficas à espreita da palavra
que há de queimar como o êxtase de Deus.

                      Sânzio de Azevedo (1999)

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