quinta-feira, 3 de agosto de 2017

"O que querem os pais? Presentes ou presenças", de João Soares Neto


As mães não devem se preocupar. Quando digo pais, estou incluindo pai e mãe. Embora domingo seja o Dia dos Pais, creio que não se deve  tratar os pais de forma isolada, pai de um lado e mãe do outro, como se fossem duas forças disputando a condução da família. Pai e mãe nada mais são que pessoas lutando pelo bem-estar dos filhos, frutos do amor ou de acidentes de percurso.
E, nesta época, pretensamente, correta, há um mundo de obrigações e bem pouca recompensa. A ordem natural vigente é questionar, e, com medo de causar traumas, os pais aceitam, meio sem graça, situações que, no fundo, desejariam repelir ou até impedir que acontecessem.
A vida e o tempo vão produzindo sequelas no sistema imunológico e causando doenças a todas as pessoas,  nos pais, inclusive. Eles se queixam de cansaço, dores, úlceras, stress e veem se aproximando, os problemas de diabetes e cardiopatias, para não falar de males maiores. Pais envelhecem.
O que fazer, então? Cuidar da saúde da mente e do corpo é um bom começo. Isso não passa obrigatoriamente por “check-ups” ou visita a analistas. É ato de respeito a você próprio, descobrir o que lhe gratifica, o que lhe alegra, o torna vivo e capaz de enfrentar, com bom humor e coragem, as lutas do dia a dia, mesmo aposentado.
Imagine-se doente e com problemas e, certamente, você daria quase tudo para ficar sadio e sem dificuldades. Imagine-se, então, sem problemas, com saúde e estabeleça um plano pessoal, um presente para você mesmo.
Cada pessoa sabe o que lhe interessa. Há, todavia, uma linha comum que as une. Começa pelo respeito ao seu corpo, com a adoção de exercícios diários.
Não esqueça de que os humanos, como os peixes, também podem morrer pela boca. Refaça a sua alimentação, a partir de um café da manhã saudável. Elimine o açúcar, o excesso de sal e a gordura. Corte o cigarro. Se não puder, maneire.
Veja se não está bebendo demais. O álcool depois da euforia dá a sensação de desamparo e até de depressão. Reexamine os seus relacionamentos, corte os chatos de sua vida. Não se preocupe em ser bonzinho com gente que só quer usar você. 
Leia, leia sempre, para manter a sua mente funcionando e aumentando conhecimento ou entretenimento. Estabeleça propostas realistas para a sua vida. Sonhar é bom, mas é preciso cair na real em tempos de crise institucional no país.
Procure amar o que faz ou, como já disse, mudar de vida. Talvez, ganhando menos, seja mais feliz. Descubra gente interessante para conversar e conserve os poucos amigos verdadeiros, aqueles que não lhe pedem mais que a sua companhia.
Se isto for receita de bolo, paciência. Tente outra receita, faça a sua própria, respeitando os seus interesses e os seus limites. Dê um tempo para você, goste mais de você, cuide mais de você.
Quanto aos filhos: não cobre presentes. Queira presença, mas também não a cobre. Tornar-se presente talvez seja o remédio. Cobranças e reclamações são os meios mais eficientes de não se conseguir presentes, menos ainda presenças.
 Feliz Dia dos Pais.



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